Hisashiburi ne?
A imprensa da Low Budget Republic retorna finalmente após um longo período de inatividade. A República atravessou alguns meses sob estado de exceção, provocado pelo conflito armado com a Floricultura Illuminati. Ciente de que o inimigo faria uso das informações veiculadas pelo Diário para obter vantagens táticas, nossa redação respeitou a recomendação oficial de que se cessasse qualquer atividade de imprensa no país. Findo o conflito, divulgamos em primeira mão os detalhes da guerra.
A Floricultura Illuminati
É notável ao longo da história da humanidade a interminável sucessão de grupos em posições de poder sobre as civilizações. Impérios nasceram, reinos desapareceram, e a implacável memória da História ignorou a glória de muitos. Poucos grupos, porém, sobreviveram ao passar das eras com tamanha influência quanto os floricultores.
No antigo Egito, produtores da flor de lótus exerciam grande influência sobre o clero da civilização do Nilo, graças à importância da flor no culto da deusa Ísis. Algumas fontes chegam a afirmar que muitos Faraós alcançaram e perderam a coroa dupla do Nilo graças à oligarquia da lótus[citation needed]. Já no século XV a Inglaterra atravessou um conturbado período de violência que ficou conhecido como Guerras das Rosas, no qual diversos clãs de floricultores disputaram o trono inglês. No século XVII, os Países Baixos viram sua economia entrar em colapso graças às maquinações de seus floricultores, manipulando o mercado financeiro com suas tulipas malignas. Sim, caro leitor, não se surpreenda ao descobrir que os floricultores inventaram a bolha especulativa.
No mundo atual, diversos grupos floricultores controlam diferentes porções do planeta. O Japão é dominado pelos keiretsus do Ikebana; a Ásia Central sobrevive a uma guerra ao terror graças ao comércio da flor de papoula, em uma situação análoga à influência das rosas colombianas na América Latina. Floricultores europeus introduziram as datas comemorativas no calendário ocidental, e as grandes corporações florais dos EUA ampliaram sua influência adquirindo largas fatias da indústria do chocolate.
As informações a respeito são nebulosas, mas sabe-se que em algum momento do séc. XX os grandes floricultores do planeta se uniram para formar A Floricultura Illuminati, um grupo secreto capaz de manipular os mais altos escalões de poder na Terra. Sob o motto “Um bouquet para todos governar”, A Floricultura se lançou em uma sangrenta empreitada de dominação mundial.
Contemple o símbolo máximo do poder.
Feriados, datas comemorativas, dias diversos e até datas explicitamente comerciais foram criadas pela mão invisível da Floricultura Illuminati. Nações em todos os continentes se dobraram ao poder dos vis mercadores de flores, que conseguiram instalar uma floricultura em praticamente todos os países do planeta após terríveis massacres. Um país, porém, ousou se levantar contra o império secreto: A Low Budget Republic.
Especula-se que o arquipélago de Tuvalu também não abrigue nenhuma floricultura.
A resistência
No natal de 2009, o Chanceler David recusou a oferta formal de uma guirlanda natalina para adornar o pórtico de entrada do país. Mesmo após a justificativa de que a República é um Estado laico e que costumes cristãos não são bem recebidos pela população local, A Floricultura ameaçou a Low Budget Republic com pesados embargos comerciais e a exigência da instalação de uma floricultura no país. Irresoluto, o Chanceler manteve sua recusa, que foi prontamente correspondida por um bloqueio ao comércio de chocolate em pó à República. Imediatamente, David acionou as redes comerciais paralelas de contrabandistas brasileiros que logo reabasteceram as reservas nacionais de Toddy. Em seguida, em uma demonstração da verdadeira astúcia de um estadista aliada ao brilhantismo estratégico dos gênios militares, o Chanceler David assinou acordos de desenvolvimento de pesticidas orgânicos com diversos países da Polinésia, históricos opositores da Floricultura.
Logo após o ano novo chega à República um pacote originário de Samoa contendo a arma que garantiu a superioridade da LBR no teatro de guerra:
O uso bélico de insetos não é proibido pelo Protocolo de Genebra
Vitória
O Chanceler David decretou estado de exceção no dia 16 de janeiro, bem a tempo de impedir que uma nota do Diário sobre os pulgões de Samoa fosse publicada. Antes mesmo que A Floricultura tomasse conhecimento do contrabando de Toddy, a LBR realizou os primeiros ataques utilizando os insetos polinésios contra a operação brasileira do grupo. A Floricultura Illuminati, desorientada pelas pesadas perdas inflingidas pela ameaça até então desconhecida, tardou em mobilizar um contra-ataque. Percebendo a hesitação, o Chanceler cercou a cidade de Holambra, centro do poder da Floricultura no continente, com colônias de pulgões de Samoa. Incapazes de salvar a fonte de seu poder satânico, o grupo içou imediatamente a bandeira branca, clamando o direito de negociar os termos de sua rendição.
Xeque mate.
Final Feliz
Livres da influência oculta da Floricultura, a população da LBR pode finalmente atravessar um oito de março sem presentar flores.
Mais notícias sobre conflitos absurdos da República a qualquer momento, no Diário LBR.




