Diário LBR

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As flores do mal

March 10th, 2010 · No Comments

Hisashiburi ne?

A imprensa da Low Budget Republic retorna finalmente após um longo período de inatividade. A República atravessou alguns meses sob estado de exceção, provocado pelo conflito armado com a Floricultura Illuminati. Ciente de que o inimigo faria uso das informações veiculadas pelo Diário para obter vantagens táticas, nossa redação respeitou a recomendação oficial de que se cessasse qualquer atividade de imprensa no país. Findo o conflito, divulgamos em primeira mão os detalhes da guerra.

A Floricultura Illuminati

É notável ao longo da história da humanidade a interminável sucessão de grupos em posições de poder sobre as civilizações. Impérios nasceram, reinos desapareceram, e a implacável memória da História ignorou a glória de muitos. Poucos grupos, porém, sobreviveram ao passar das eras com tamanha influência quanto os floricultores.

No antigo Egito, produtores da flor de lótus exerciam grande influência sobre o clero da civilização do Nilo, graças à importância da flor no culto da deusa Ísis. Algumas fontes chegam a afirmar que muitos Faraós alcançaram e perderam a coroa dupla do Nilo graças à oligarquia da lótus[citation needed]. Já no século XV a Inglaterra atravessou um conturbado período de violência que ficou conhecido como Guerras das Rosas, no qual diversos clãs de floricultores disputaram o trono inglês. No século XVII, os Países Baixos viram sua economia entrar em colapso graças às maquinações de seus floricultores, manipulando o mercado financeiro com suas tulipas malignas. Sim, caro leitor, não se surpreenda ao descobrir que os floricultores inventaram a bolha especulativa.

No mundo atual, diversos grupos floricultores controlam diferentes porções do planeta. O Japão é dominado pelos keiretsus do Ikebana; a Ásia Central sobrevive a uma guerra ao terror graças ao comércio da flor de papoula, em uma situação análoga à influência das rosas colombianas na América Latina. Floricultores europeus introduziram as datas comemorativas no calendário ocidental, e as grandes corporações florais dos EUA ampliaram sua influência adquirindo largas fatias da indústria do chocolate.

As informações a respeito são nebulosas, mas sabe-se que em algum momento do séc. XX os grandes floricultores do planeta se uniram para formar A Floricultura Illuminati, um grupo secreto capaz de manipular os mais altos escalões de poder na Terra. Sob o motto “Um bouquet para todos governar”, A Floricultura se lançou em uma sangrenta empreitada de dominação mundial.

Contemple o símbolo máximo do poder.

Feriados, datas comemorativas, dias diversos e até datas explicitamente comerciais foram criadas pela mão invisível da Floricultura Illuminati. Nações em todos os continentes se dobraram ao poder dos vis mercadores de flores, que  conseguiram instalar uma floricultura em praticamente todos os países do planeta após terríveis massacres. Um país, porém, ousou se levantar contra o império secreto: A Low Budget Republic.

A misteriosa economia de Tuvalu

Especula-se que o arquipélago de Tuvalu também não abrigue nenhuma floricultura.

A resistência

No natal de 2009, o Chanceler David recusou a oferta formal de uma guirlanda natalina para adornar o pórtico de entrada do país. Mesmo após a justificativa de que a República é um Estado laico e que costumes cristãos não são bem recebidos pela população local, A Floricultura ameaçou a Low Budget Republic com pesados embargos comerciais e a exigência da instalação de uma floricultura no país. Irresoluto, o Chanceler manteve sua recusa, que foi prontamente correspondida por um bloqueio ao comércio de chocolate em pó à República. Imediatamente, David acionou as redes comerciais paralelas de contrabandistas brasileiros que logo reabasteceram as reservas nacionais de Toddy. Em seguida, em uma demonstração da verdadeira astúcia de um estadista aliada ao brilhantismo estratégico dos gênios militares, o Chanceler David assinou acordos de desenvolvimento de pesticidas orgânicos com diversos países da Polinésia, históricos opositores da Floricultura.

Logo após o ano novo chega à República um pacote originário de Samoa contendo a arma que garantiu a superioridade da LBR no teatro de guerra:

O uso bélico de insetos não é proibido pelo Protocolo de Genebra

Vitória

O Chanceler David decretou estado de exceção no dia 16 de janeiro, bem a tempo de impedir que uma nota do Diário sobre os pulgões de Samoa fosse publicada. Antes mesmo que A Floricultura tomasse conhecimento do contrabando de Toddy, a LBR realizou os primeiros ataques utilizando os insetos polinésios contra a operação brasileira do grupo. A Floricultura Illuminati, desorientada pelas pesadas perdas inflingidas pela ameaça até então desconhecida, tardou em mobilizar um contra-ataque. Percebendo a hesitação, o Chanceler cercou a cidade de Holambra, centro do poder da Floricultura no continente, com colônias de pulgões de Samoa. Incapazes de salvar a fonte de seu poder satânico, o grupo içou imediatamente a bandeira branca, clamando o direito de negociar os termos de sua rendição.

Xeque mate.

Final Feliz

Livres da influência oculta da Floricultura, a população da LBR pode finalmente atravessar um oito de março sem presentar flores.

Mais notícias sobre conflitos absurdos da República a qualquer momento, no Diário LBR.

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Pequenas Transgressões Nacionais

November 15th, 2009 · No Comments

Na LBR, as caixas de leite são abertas no canto oposto ao indicado pela embalagem.

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A volta do disquete

October 30th, 2009 · No Comments

O Ministério das Tendências da Low Budget Republic anunciou nesta sexta-feira o plano para ressuscitar os antigos discos floppy. Em discurso dirigido ao Senado da República, o Ministro das Tendências, David, disse que a LBR pode dar um salto histórico em sua capacidade de gerar hypes com o plano disquete.

floppy

“Graças às novas mídias digitais e à coesão alcançada pela LBR na internet nos últimos anos, nosso país conta com a capacidade de lançar hypes equivalente à dos grandes players mundiais do setor, como os usuários do Twitter e Lucio Ribeiro. É um momento único, e nossas reservas nacionais de disquetes nos colocam na melhor posição estratégica. Assistiremos ao ressurgimento da indústria nacional das mídias magnéticas, e triunfaremos sobre um mercado há muito desprezado pelas grandes potências.  Em poucos meses nossa ação poderá fazer com que trabalhos acadêmicos sejam entregues em vias impressas e disquetes, e músicas MIDI sejam trocadas em disquetes coloridos pelos artistas de vanguarda.”

No fim do discurso, o Ministro das Tendências foi surpreendido pela chegada do Chanceler David no Senado. Após embaroçosos segundos, nos quais o ministro saiu do recinto evitando contato visual com o Chanceler, este indagou aos presentes: “Quem inventou esse ministério?”

A equipe do Diário ainda não conseguiu apurar as origens do Ministério das Tendências. Mais notícias sobre disquetes e ralos orçamentários a qualquer momento, no Diário LBR.

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Senado da República aprova novas leis da física

September 15th, 2009 · No Comments

Após alguns meses de atraso, o Senado da República finalmente aprovou as novas leis da física para a LBR, que passam a vigorar a partir do dia 21 próximo. Entre as mudanças adotadas está a revisão do limite da gravidade no país para 1/3 da gravidade terrestre, segundo moção apresentada pelo Ministério da Saúde. De acordo com o ministério, dadas as circunstâncias populacionais únicas da LBR (o território abriga apenas um habitante), o risco de escorregar e bater a cabeça no chuveiro era um dos fatores de mortalidade mais perigosos e negligenciados  do país. Com a aceleração gravitacional na superfície da LBR diminuída,  a chance de fatalidade neste tipo de acidente tornou-se praticamente nula.

Passa a valer também a partir do dia 21 a singularidade temporal chamada pela comunidade científica do país de “café da manhã”. Para explicar melhor a nova lei física, o Diário entrevistou David, diretor do departamento de física da LBRU:

“Durante o período de um dia no país, ocorre sempre uma singularidade temporal, que em casos excepcionais ocorre duas vezes, a qual chamamos de café da manhã. Trata-se da refeição que o Chanceler David consome após despertar de seu sono. A questão é que o sono do Chanceler tem propriedades físicas ainda pouco compreendidas que chamamos de anti-tempo; O anti-tempo apresenta uma relação com o tempo convencional semelhante à da anti-matéria em relação à matéria. O anti-tempo do sono do Chanceler provoca essa instabilidade no espaço-tempo da República que culmina em uma singularidade temporal variável, o café da manhã, singularidade esta que pode ocorrer às 16h como também às 4h da manhã.”

Por questões orçamentárias o Senado barrou a proposta de lei que estipulava uma proporção áurea de cerveja para água na República, de 2m³ da bebida fermentada para cada m³ de água.

Mais notícias do mundo da física a qualquer momento, no Diário LBR.

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Nota extraordinária

August 19th, 2009 · No Comments

Declaração do Chanceler David, ao ser indagado por um de nossos repórteres a respeito da postura da LBR em relação à Organização dos Estados Americanos e Honduras:

“Olha, eu até tinha esquecido disso. Ninguém se importa mais. Agora me deixem dormir.”

Mais notícias a qualquer momento, no Diário LBR.

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