
Certo, eu deveria escrever esse post ano que vem, porque em 2009 o design completa 50 anos, mas provavelmente não vou lembrar. Sim, esse é o mesmo design lançado por Chuck Taylor em 1949, inalterado até hoje. A única novidade foram as cores novas.
Resumindo a história do tênis em três parágrafos: Uma pequena fabricante de calçados de Massachusetts produzia esses calçados chamados All Star pro recém-descoberto esporte, o basquete*, no início do século XX (1917, pra ser mais preciso). Em 1921 um jogador de basquete chamado Chuck Taylor conseguiu um par de tênis novos grátis da companhia depois de prometer que promoveria o produto. Ele realmente fez isso, com bastante sucesso. Depois de algum esforço por parte do senhor Taylor todos os times de basquete usavam All Star, e a mulecada do bairro também adorava o charmoso calçado todo preto de lona e borracha. Como gratificação a Converse presenteou Chuck Taylor com um par de tênis novos e permitiu que ele assinasse seu nome no círculo branco com a estrelinha no tornozelo do calçado.
Em 1930 Chuck desenhou o modelo branco (o de lona, não aquele de couro que todo emo batuta tem) para ser usado nas Olimpíadas de 1936. É de fato um modelo bem patriótico, até as faixas no solado tem as cores da bandeira dos EUA. Na mesma época a Adidas lançou uma linha de calçados com suásticas que se tornou bastante popular entre a juventude nazista, mas jamais ganhou o mundo. Mais tarde, durante a guerra, Chuck Taylor se tornou capitão da Força Aérea Americana e fez todos os recrutas do país usarem um par de All Star durante seus exercícios, promovendo o calçado e bolhas nos pés das forças armadas.
Após a guerra, em 1949, Chuck lançou o modelo clássico defintivo, com o solado de borracha branco e a lona preta. Em 2005 eu comprei esse mesmo modelo e desde então não parei de usar esses calçados supimpas. Um design de calçado que dura 50 anos só pode ter algum poder místico sustentando tamanha longevidade, e aposto que consigo extender minha expectativa de vida usando sempre um par de All Stars.
Em 1966 a Converse dominava 80% do mercado dos tênis nos EUA – em comparação, o máximo que a Nike conseguiu foram 50% do mercado em 1980. A teoria mística do All Star ganha mais um ponto pelo domínio massivo do mercado (mas isso só porque a China estava ocupada demais na época matando gente alfabetizada pra ter tempo de se especializar na arte de fabricar o mundo) . Ironicamente, em 2003 a Nike comprou a Converse, que tinha ido à falência. As fábricas saíram dos EUA e foram para a Ásia (embora a etiqueta dos meus All Star diz que eles foram feitos por aqui mesmo). Há agora uma porrada de modelos novos, desde o sem graça cano baixo até o exótico All Star de pele de hiena e solado de látex reciclado de preservativos.
De qualquer maneira, o Chuck Taylor’s All Star clássico continua, ehm, um clássico, e é hoje um dos grandes tesouros da Low Budget Republic.
3 responses so far ↓
1 keissy // Mar 28, 2008 at 8:30 pm
é um elo, sabe? Eu, na minha feliz infancia, usava all star, e depois na patética adolescencia, e agora, nessa fase q eu não sei bem definir. Chuck Taylor vai ser, no futuro, o único elo vivo com o passado. O único sobrevivente.
2 Nádia // Mar 31, 2008 at 12:45 pm
Fiquei alguns dias procurando um lugar pra deixar comentários, até que depois de um tempo, eu achei! Nada tapada.
Enfim, não preciso dizer que amo All Star – em especial, o meu verde – e que quero comprar aquele site todo! Acho que vou ficar com o de matelacê!
Beijo
3 nataliabs // Apr 17, 2008 at 10:31 am
“aposto que consigo extender minha expectativa de vida usando sempre um par de All Stars.”
Hahahahahahaha
Eu havia aposentado os meus, mas depois de ler tudo isso sobre os tênis prediletos da minha juventude, penso em voltar a usá-los.
Ultimamente All Star virou coisa EMO demais, isso me deprimiu, comecei um tratamento medicamentoso contra tal tendência que arruinou-me internamente. Entrei em crise, imaginando que eu também pudesse ser EMO.
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